As borlas do Metro de Lisboa

terça-feira, abril 27
Continuo dentro da temática dos transportes públicos, desta feita para comentar uma notícia que foi há pouco avançada pelo Diário Digital e onde se dá conta de que, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas, "o Metropolitano de Lisboa perdeu só em 2008 uma receita da ordem dos 1,5 milhões de euros pelo facto de ter transportado gratuitamente os seus trabalhadores, respectivos cônjugues e descendentes, bem como os reformados da empresa."

É chocante por múltiplas razões. Antes de mais reconheço que, até ter lido esta notícia, desconhecia que o Metro oferecia viagens a toda uma árvore genealógica que a si tenha estado profissionalmente ligada em tempos passados ou no presente. Compreendo o facto de os trabalhadores poderem viajar gratuitamente no nosso 'tube', até porque facilita a vida à própria empresa que se escusa assim a ter de pagar subsídios de transportes, por exemplo. Apesar disso, e por mais que tente, não consigo perceber porque é que uma empresa pública, que consequentemente é suportada graças ao contributo de todos nós, oferece viagens não só a ex-trabalhadores que, julgo eu, terão sido devidamente recompensadas ao longo do seu percurso dentro da empresa e que, no final do mesmo, têm direito a uma reforma mais ou menos justa, como aos familiares dos mesmos, que nada fizeram pela empresa e que portanto têm tanto direito a receber viagens grátis como qualquer um de nós. Não esqueçamos que, em 2008, o Metro apresentou um déficit operacional negativo na ordem dos 29 milhões de euros.
Apesar de o Metropolitano não ter aderido à greve de hoje, não deixa de ser irónico que esta notícia tenha vindo a público precisamente neste dia.

Greve dos transportes

Os dias que seguem a celebração da revolução dos cravos dão quase sempre o mote a uma série de greves e manifestações por parte dos mais variados sectores da nossa sociedade. Hoje foi o dia em que o sector dos transportes decidiu bater o pé contra algumas medidas do governo, entre elas o congelamento dos salários ou a intenção de privatizar algumas linhas da CP.

Quem mora no centro de Lisboa não deverá ter sentido o poder desta greve de uma forma tão intensa como quem diariamente é obrigado a utilizar uma vasta panóplia de transportes públicos até conseguir chegar ao trabalho. São estes os principais afectados. São estes, que afinal de conta estão do lado dos grevistas, os que sofrem as consequências destas chamadas de atenção por parte das empresas de transportes públicos.
Não questiono o direito à greve e a sua utilidade. Questiono antes os seus resultados práticos.